sexta-feira, 29 de julho de 2016

SOY [quase] UNA BUTCH

Quanto mais eu me [re]aproprio do meu corpo, dos meus afetos, da minha vida, quanto mais me assenhorio de mim, menos as prisões me parecem confortáveis ou adoráveis, menos eu caibo nelas e menos elas me cabem, mais vigorosamente eu rejeito as feminilidades.

Não há adjetivo capaz de dizer essa sensação. <3





3 comentários:

  1. ok mas não desejo me parecer com um homem para negar a opressão da feminilidade...não quero me parecer com esses cretinos estupradores.

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  2. Mas lésbicas "butchs" (ou "bofes" ou "caminhoneiras") não desejam se parecer com homens. Não se parecem e nem nunca vão se parecer com homens. Nenhuma mulher "se parece" com um homem quando rompe com os signos e rituais artificializantes da feminilidade pra se apresentar à sociedade em sua forma naturalmente humana (fisicamente, em seus gestos, sexo, corpo, comportamento), ou seja, nenhuma mulher se parece um homem por optar se comportar
    ou se vestir de maneira a se recusar a introjetar e reproduzir os aspectos infantilizadores, hiperssexualizadores, fetichizadores e debilitantes que são associados às roupas, gestos e comportamentos chamados de femininos.

    Quando ouço/leio esse tipo de comparação, lembro sempre do apontamento da Beauvoir: "O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho."

    Se quiser compreender melhor o fundamento misógino desse tipo de comparação, sugiro a leitura dos textos desses dois links. :)

    https://medium.com/@bnclla/por-que-voc%C3%AA-quer-se-parecer-com-um-homem-543256f406a5

    https://www.geledes.org.br/eu-nao-sou-e-nao-quero-ser-um-homem/

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