domingo, 7 de agosto de 2016

NEGANDO A PRÓPRIA SEXUALIDADE

Durante a minha infância e adolescência eu fui muito insubmissa ao gênero feminino: eu brincava com guris, me machucava, subia em árvores, aos 13/14 anos fui patinar no clube, a maioria dos patinadores era de rapazes, eu andava com eles, levava tombos, vivia roxa... usava roupas largas, sapatos brutos, usei os cabelos muito curtos ou raspados durante boa parte da adolescência, e  olhar as mulheres me causava um sentimento estranho, que eu não sabia nomear como desejo, embora algumas vezes tenha me perguntado "Será que sou sapatão?". Mas eu não queria ser sapatão, sapatão não era legal, muita gente já havia me avisado.

Eu nunca olhei para o corpo masculino com desejo. Nunca. Mas eu aprendi a me excitar com os estímulos sexuais de homens. Eu fui obrigada a aprender, pra ser aceita, pra ser amada, pra ser normal, pra ser mulher, pra sobreviver. Eu nunca olhei o corpo masculino com desejo e, por isso mesmo, eu aprendi que desejo era essa falta do desejo no olhar, e que o que eu sentia ao olhar as mulheres era outra coisa - abominável - qualquer. Aprendi que, para a mulher, o desejo é essa falta de desejo e que o que eu sentia ao olhar pra outras mulheres não era desejo, podia ser condenável até, caso persistisse, se se desdobrasse. Aprendi que a submissão é o desejo da mulher.

Pois bem, eu nunca olhei com desejo o corpo de um homem, mas por volta dos 12 anos eu já tinha dado meu primeiro beijo na boca (e senti um constrangimento imenso ao beijar pela primeira vez um homem), tive alguns ficantes e, então, às vésperas de completar 13 anos eu já tinha conseguido o meu "primeiro namorado".

Até os 16/17 anos eu tive apenas uns flertes e namoricos com meninos, mas eu realmente não tinha nenhum interesse real em me relacionar seriamente com eles, eu apenas ficava com um e com outro, aqui e ali, nas festinhas e passeios adolescentes. Não havia compromisso, no entanto, já existia nisso o aprendizado. E o aprendizado pra heterossexualidade se dá gradualmente: primeiro fui impedida de nomear meu desejo pelas mulheres, depois aprendi que minha falta de desejo por homens é que era desejo, e que eu tinha que  me submeter a ela porque era bom, porque era isso que faria de mim uma mulher plena, feliz e realizada. E então eu fui aprendendo também, enquanto flertava e ficava descompromissadamente com meninos, que havia coisas que eu precisava fazer pra que eles me desejassem e quisessem ter um compromisso comigo, porque ser desejada pelo sexo masculino também era uma coisa que faria de mim  uma mulher, uma boa mulher, e pra isso eu não podia mais me comportar e me vestir como eu fazia, porque quando se é criança ainda pode ser tolerado, mas quando se passa a cobiçar ser desejada por homens, não se pode mais: então, eu tinha que usar apetrechos pendurados nas orelhas, nos braços, no cabelo; eu tinha que mudar minhas roupas, minha aparência, meus hábitos, meu comportamento - "Você está horrorosa com a cabeça raspada assim!", "Você parece um menino com essa calça! Nenhum garoto vai querer ficar com você!", "Você é muito bruta, moças precisam ser delicadas! "Fecha as pernas!" "Faça as unhas", "Bota um brinco", "Passe um batonzinho nessa cara!", "Olha esses joelhos ralados, porque você não para com esse patins? Mulher com perna toda manchada é muito feio!". Eu tinha que crescer: deixar de ser uma criança "moleca" e me transformar em uma mulher, evoluir, progredir, amadurecer: existir pra servir aos homens. E fui aprendendo, da mesma forma, que ser mulher era o meu destino, e que ser mulher era ser limitada, reduzida, incapacitada, domesticada, aprisionada, enfeitada, delicada, fragilizada, artificializada, e que eu era uma mulher, e que, portanto, eu era isso, eu só podia ser isso, porque isso é ser uma mulher.

Não foi difícil começar a idolatrar os homens. Eles eram fantásticos. Podiam tudo que eu desejava: cabelos curtos, roupas confortáveis, podiam andar de patins!, podiam ir aonde quisessem, a hora que quisessem ("Você não vai porque é perigoso, você é uma menina/moça!). E nas músicas e filmes eles eram o máximo: andavam de moto, dirigiam caminhões, viajavam solitários, bebiam sozinhos em bancadas de bar, tomavam as mulheres que queriam como se elas fossem presas e eles caçadores corajosos e incríveis, também as largavam por novas conquistas a hora que quisessem. E ser mulher era aquilo em que eu estava me transformando: ter medo, não poder, não fazer, ser tola, débil, mas ser bonita e desejável para homens - em todo filme, em toda literatura, em toda música, ser mulher era isso. E nos filmes e músicas éramos sempre as presas, frágeis, dóceis, domesticadas e descartáveis. Quando não isso, as donas de casa, as serviçais cheias de filhos que viviam entre o fogão, a pia e a cama para agradar seus maridos. Então, já que eu não podia ser um homem, já que eu não havia nascido com essa sorte entre as pernas, só me restava adorá-los.

Foi igualmente fácil odiar as mulheres. Mulheres eram horríveis. E por muitas vezes eu sonhei ser um homem, eu desejei muitas vezes ter nascido homem. Mas eu não nasci. Eu nasci com uma vagina, e essa marca maldita no meio das minhas pernas era determinante, berrava a todos e fazia todos berrarem de volta pra mim, que eu era uma mulher. Então, meu ódio por mulheres se concretizou entranhado à minha idolatria por homens: ao passo em que me feminilizava, porque não tinha jeito, esse era o caminho natural pra ser aceita, amada, desejada, pra ser mulher, eu passava a desprezar tudo que era produzido por outras mulheres: músicas, filmes, literatura, artes,a própria representação do feminino, as próprias mulheres... nada dessas coisas me interessava, porque os homens é que eram incríveis. Mulheres eram chatas, desinteressantes e entediantes. Eu assistia os grandes filmes produzidos pelos grandes machos do cinema, eu conhecia suas teorias, suas literaturas, eu cantava de cor as suas músicas sobre liberdade, sobre masculinidade, sobre virilidade e sobre o enorme desprezo masculino às mulheres. Eu conhecia Woody Allen, Felini, Almodóvar, Dostoievski, Picasso, Delacroix, Marx, Foucault... eu achava que essas coisas produzidas por eles também diziam respeito à mim, que elas falavam sobre "o ser humano", esse "ser humano" dono de tudo, dono do mundo, esse "ser humano" maravilhoso - e eu acreditava que eu também fazia parte delas... eu cantava alto e forte nos shows de rock:

You need cooling
Baby, I'm not fooling
I'm gonna send, yeah
You back to schooling
Way down inside
Honey, you need it
I'm gonna give you my loveI'm gonna give you my love
Way, way down inside
I'm gonna give you my love
I'm gonna give you
Every inch of my love, gonna give you my love

[Você precisa se acalmar
Garota, eu não estou brincando
Eu vou mandar, sim
Você de volta à escola
Lá no fundo
Querida, você precisa disso
Eu vou te dar o meu amor
Eu vou te dar o meu amorLá no fundo
Eu vou te dar o meu amor
Eu vou te dar
Cada centímetro do meu amor, vou te dar o meu amor]


Eu lia, cantava, apreciava coisas que nunca disseram respeito a mim, à minha vida, à minha condição de mulher. Filmes, escrituras e canções que celebravam um  mundo do qual eu não fazia parte senão como presa, como escrava doméstica ou sexual, como alegoria ou enfeite, onde o que é representado era nada mais que a minha servidão ao homem, celebrada, normatizada, naturalizada. Mas eu também aprendi que gostar dessas coisas era importante. Além de ter sido convencida que elas falavam sobre mim, saber sobre elas me dava um status a mais: os homens me faziam crer que, ao exaltá-los dessa forma, ao exaltar e celebrar suas produções e celebrar seu imenso falocentrismo e desprezo pelas mulheres, eu estava num patamar acima de todas as outras, eu era uma mulher especial. E já que eu não podia ser um homem, achei ótimo ser uma mulher especial. E me especializei nisso. Me especializei profundamente: fui descobrindo que se eu celebrasse não apenas as músicas, filmes e produções de exaltação da virilidade e masculinidade dos homens, mas me tornasse, eu mesma um veículo dela, eu seria ainda mais especial. E ser especial, pra mim, era importante, porque eles me diziam que eu era quase como um deles. Então eu fui sendo ensinada que mais especial eu seria quanto mais eu permitisse a eles exercer suas masculinidades sobre meu corpo, quanto mais eu celebrasse não só seus filmes, livros, músicas, mas também o seu desejo e a sua sexualidade, de preferência sobre o meu próprio corpo. E me diziam que mais especial eu seria quanto mais eles me desejassem. Me diziam que me admirar eles já admiravam, afinal, eu conhecia e celebrava a música deles, os filmes deles, a literatura deles... mas era preciso mais: era preciso que eu celebrasse o sexo e o desejo deles não só sobre as mulheres de uma forma geral, mas sobre mim, sobre o  meu próprio sexo, sobre o meu corpo. Se eu fizesse isso, eu seria muito especial mesmo. Melhor que todas as outras mulheres, melhor que as suas namoradas chatas e caretas, melhor que as donas de casa "gordas, feias e acabadas", e, ainda: melhor do que as prostitutas que eles "apreciam" tanto a ponto de chegar a pagar por elas, porque além de foder loucamente como elas, eu ainda era inteligente e culta, eu conhecia a arte dos homens, a música dos homens, a virilidade dos homens contada e exaltada em toda produção artística ocidental. E, então, eu me tornei muito especial mesmo: eu tive meu corpo e minha sexualidade domesticada até que eles pudessem me colocar em sexo arriscado, em sexo violento, em situações de risco, de dor, de medo, e assim eu ia sendo estuprada, violada, agredida; assim eu fui machucada, eu fui destruída sexual e emocionalmente - e, segundo eles, assim eu ia sendo uma mulher incrível, muito especial, muito melhor do que todas as outras.

Durante esse processo, meu desejo por mulheres foi ficando escondido, soterrado. Foi sendo reprimido, sufocado, esmagado, aniquilado.  Eu não queria ser uma mulher fútil, frágil e burra. Eu não queria ser uma dona de casa gorda, feia e acabada. Mas, tampouco, eu queria ser uma sapatão, uma fancha, uma caminhoneira, uma Maria João, uma abominação. Eu queria ser especial, eu queria muito ser bonita e especial. Assim fui gradualmente me feminilizando ao mesmo passo em que se introjetavam  em mim, construindo minha personalidade, meus afetos, emoções e minhas sociabilidades, a misoginia, a lesbofobia, o falocentrismo, a idolatria por homens e produções masculinas e falocentradas. Esse não foi um processo de 1 ou 2 anos. Esse foi o processo de uma vida inteira. Lento. Pedagógico. Progressivo. Violento. Um processo que começou na infância, se intensificou com um abuso sexual infantil identificado aos 11 anos, um processo contra o qual eu ainda luto, aos 38 anos de idade, na tentativa de entender quem eu sou e o que me foi roubado, entender o sequestro de minhas emoções, da minha psiquê e da minha sexualidade pelo patriarcado, por homens, pela heterossexualidade, pelo regime político e ideológico da heterossexualidade.

Nesse processo, era mais que necessário que eu reprimisse meu desejo lésbico. Reprimir mesmo, com força, vigor, rejeitá-lo fortemente, negá-lo, aniquilá-lo. Mas a gente não rejeita e não nega o que não está lá, não é mesmo? E ele estava. No meu olhar pras mulheres, na minha vontade de ver o corpo delas, de entender que corpo era aquele que eu não devia acessar. "Curiosidade!" Era só curiosidade, eu repetia, outros me repetiam. E como eu havia me tornado uma mulher muito livre e desencanada - uma mulher muito especial, mais especial que todas as outras! - eu podia me dar o direito de ser "bissexual" de vez em quando. Eu podia me dar o direito de ser bissexual principalmente quando isso agradava a algum homem que estivesse comigo. E eu fui bissexual algumas vezes. Eu era descolada, livre, eu podia ter sexo com mulheres, mas eu precisava repetir firmemente pra mim, toda vez, muitas vezes, durante muitos anos, durante duas décadas, que eu até gostava de sexo com mulheres, mas que eu preferia homens, que eu adorava homens, que eu amava paus, e que sexo com mulheres até poderia ser legal, mas sempre estaria "faltando alguma coisa" (me desculpem, mulheres, por essas coisas horríveis que fiz, e me desculpem por contá-las, mas eu preciso narrá-las, eu não tenho orgulho nenhum das coisas que fiz, mas eu preciso narrar pra que outras mulheres se vejam em minhas histórias, se reconheçam nelas e parem de fazer essas coisas também), que eu até podia fazer sexo com mulheres - como fiz algumas vezes - mas que eu me apaixonava de verdade era por homens, porque eles eram incríveis, fortes, vigorosos, corajosos, e as mulheres eram desinteressantes, fracas, débeis, chatas, grudentas e às vezes até insuportáveis. Eu até podia fazer sexo com elas, mas eu não podia me apaixonar por elas, eu só me apaixonava por homens porque eles eram muito melhores que elas, mas, sobretudo, porque homens tinham pau! E eu amava pau - repetia, repetia, repetia. E as mulheres tinham aquelas coisas incompletas e banais no meio das pernas - aquela "coisa" que eu fui a vida toda ensinada a odiar, junto ao ódio por cada aspecto da condição feminina imposta pelo patriarcado às pessoas do sexo feminino pra transformá-las em "mulher".

E assim foi. E foi por muito tempo. E eu tive muitos namorados. E muitos "peguetes". Namoros longos e muitas "aventuras" sexuais, sempre me submetendo - porque eu aprendi que desejo tinha a ver não com o que eu sentia ao olhar as mulheres, mas com a submissão a que a falta de desejo pelos homens, somada à obrigação introjetada da heterossexualidade, me empurrava. Sempre repetindo incansavelmente pra mim mesma, pras amigas, pros homens com quem saía, pras pessoas com quem falava mais abertamente sobre sexo, que eu era "bissexual" às vezes, que era uma mulher livre e por isso fazia sexo com outras mulheres, mas nunca me apaixonaria por elas, porque eu amava muito os homens, eu amava muito, eu adora, eu venerava o pau. E que eu era uma mulher muito especial, muito melhor do que as outras, que eles sempre me diziam isso!

Algumas vezes eu gostei muito de estar com essas mulheres com quem fiz sexo. Uma vez, em especial, uma delas era minha amiga. Uma melhor amiga. Uma mulher com quem eu queria estar todo o tempo, com quem eu adorava sair, de quem eu sentia saudades, com quem eu queria dividir tudo: meus momentos, minhas alegrias, tristezas, minhas coisas, meu afeto - como deve ser com uma melhor amiga, pensava. E ela estava o tempo todo comigo, e sempre que podia a gente fazia tudo juntas, tudo, festas, cinema, conversas, bares, confissões, alegrias, problemas, estavamos sempre jnutas. Eu deixava de sair com meu namorado às vezes e ela com o dela, ou a gente se encontrava nos períodos livres, à tarde, depois da faculdade... e a gente saia juntas, porque a gente era melhores amigas e, como melhores amigas, a gente se amava - como se amam as melhores amigas, eu pensava. Um dia ela quis fazer sexo comigo, ela nunca tinha feito isso com mulheres, tinha curiosidade, me confidenciou. E eu, que era uma mulher muito livre e especial, topei. E a gente transou numa festa, no banheiro da casa do amigo do namorado dela, com ele na sala bebendo e celebrando rituais de virilidade com os caras. Eu gostei. Eu gostei muito. Mas ela me disse que não gostou, que nunca mais faria de novo. Eu gostei muito, mas lembrei de novo que eu já tinha certeza que pra  mim sempre era só sexo, só "liberdade sexual", porque o que eu amava e adorava mesmo eram homens e paus. Seguimos a amizade. Com alguns episódios mais de bebedeiras e beijos e amassos escondidos em cantos de festinhas com amigas. Normal. Ela tinha certeza que não havia gostado de sexo lésbico, só estava "meio bêbada", e eu tinha certeza que até gostava de sexo lésbico, mas gostava mesmo, gostava muito, gostava imensamente de homens e de pau. Fomos amigas por alguns anos. Um dia ela arrumou um namorado muito ciumento. O cara me odiou. No início ele tentava disfarçar e ser simpático, mas o namoro vingou e ele não fez questão de esconder que me odiava por muito tempo mais. E, então, eu e minha melhor amiga de anos começamos a nos estranhar. E brigamos. E nunca mais nos falamos.

E eu segui minha vida. Terminei um namoro extremamente abusivo, sai da casa dos meus pais, dividi apartamento, fui morar sozinha, continuei sendo uma mulher muito especial para os homens: eles me adoravam, eu era inteligente, culta e sexualmente livre: eu fazia coisas loucas, inimagináveis, coisas incríveis no sexo. Coisas que quase nunca envolviam meu próprio prazer, muito menos orgasmos - meus, claro, porque eles tinham vários, já que eu era uma mulher incrivelmente poderosa, eu deixava os homens loucos no sexo. Então, eu segui sendo uma mulher muito especial, muito superior às outras, uma mulher que adorava o falo, o homem, o sexo heterossexual, e que, também inteligente, culta e livre como são as mulheres especiais - as que são melhores que as outras - também podia se permitir fazer sexo com outras mulheres, ser uma "bicuriosa", principalmente se isso aumentasse meu poder sobre os homens, se isso agradasse a eles sobremaneira. Fui sendo essa mulher livre, desencanada, bicuriosa, idólatra de homens, do pau, uma mulher heterossexual por algum tempo ainda.

Até que aos 35 anos eu conheci A.
E me apaixonei por A.
E dessa vez eu não consegui negar.

E deu-se a revolução em minha vida.

E a menina que eu neguei durante tantos anos, renasceu em mim, transformando em escombros a minha heterossexualidade.

<3




[A. seguiu sua vida, não ficamos juntas muito tempo. E eu ainda segui crendo que poderia voltar a ser quem eu era com a partida dela. Mas fui descobrindo que eu nunca havia sido quem eu achava que era. O que A. havia feito em mim não cessou de me transformar depois que ela foi embora. ]

2 comentários:

  1. me identifiquei demais c esse texto. poxa se você estiver aberta a conversas, eu precisava muito

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  2. Claro que podemos conversar! Me escreva no apsm241177@gmail.com ou me procure no face: tem um link pro meu perfil aqui: http://comosobreviviaheterossexualidade.blogspot.com.br/p/i.html

    bjs.

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