Não há adjetivo capaz de dizer essa sensação. <3
Aos 38 anos me compreendi lésbica. Desde a primeira manifestação do meu desejo por mulheres, aos 13/14 anos, até a plena compreensão de minha lesbianidade, um fosso enorme de violências, correções, adequações, condicionamentos, rejeições e agressões patriarcais me distanciaram do que eu sou - uma lésbica. Esse blog conta minhas histórias pra que outras mulheres possam se reconhecer nelas e saber que não estão sozinhas e nem loucas e que é importante a gente conversar sobre isso.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
SOY [quase] UNA BUTCH
Quanto mais eu me [re]aproprio do meu corpo, dos meus afetos, da minha vida, quanto mais me assenhorio de mim, menos as prisões me parecem confortáveis ou adoráveis, menos eu caibo nelas e menos elas me cabem, mais vigorosamente eu rejeito as feminilidades.
Não há adjetivo capaz de dizer essa sensação. <3
Não há adjetivo capaz de dizer essa sensação. <3
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ok mas não desejo me parecer com um homem para negar a opressão da feminilidade...não quero me parecer com esses cretinos estupradores.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirMas lésbicas "butchs" (ou "bofes" ou "caminhoneiras") não desejam se parecer com homens. Não se parecem e nem nunca vão se parecer com homens. Nenhuma mulher "se parece" com um homem quando rompe com os signos e rituais artificializantes da feminilidade pra se apresentar à sociedade em sua forma naturalmente humana (fisicamente, em seus gestos, sexo, corpo, comportamento), ou seja, nenhuma mulher se parece um homem por optar se comportar
ResponderExcluirou se vestir de maneira a se recusar a introjetar e reproduzir os aspectos infantilizadores, hiperssexualizadores, fetichizadores e debilitantes que são associados às roupas, gestos e comportamentos chamados de femininos.
Quando ouço/leio esse tipo de comparação, lembro sempre do apontamento da Beauvoir: "O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho."
Se quiser compreender melhor o fundamento misógino desse tipo de comparação, sugiro a leitura dos textos desses dois links. :)
https://medium.com/@bnclla/por-que-voc%C3%AA-quer-se-parecer-com-um-homem-543256f406a5
https://www.geledes.org.br/eu-nao-sou-e-nao-quero-ser-um-homem/