Não há início para boa parte das lésbicas vítimas da heterossexualidade compulsória por um período muito longo de tempo. A gente não sabe bem quando começaram as reprimendas, a repressão, quando a primeira violência reprimiu a primeira manifestação do desejo. Muitas de nós não sabem sequer quando começaram a perceber ou a reconhecer esse desejo. Nossas memórias são um emaranhado de lembranças e esquecimentos, de situações apagadas, esmaecidas, de violências, de dúvidas, amores e identidades esquecidas.
Aqui nesse blog vou reunir relatos pessoais, alguns já publicados em meu outro blog, o Escrituras Radicais, outros no meu perfil pessoal do Facebook, alguns escritos e anotados em papeizinhos que vou largando por aí.
Esses relatos frutos das minhas memórias, da falta delas, de processos, vivências, experiências e reflexões ao longo da vida e do presente. Relatos sobre como a heterossexualidade compulsória destruiu minha autoestima, minha personalidade, afetou profundamente minha vida, moldou meus afetos e minha sexualidade e me convenceu que poderia ser verdade uma farsa de sentimentos e emoções que eu vivi por 25 anos.
Meu objetivo é aproximar mulheres que, assim como eu, por muito tempo sequer se reconheceram como lésbicas, ou que ainda não se reconhecem, mas que, também da mesma maneira que eu, sempre sentiram que há algo estranho em suas relações afetivas com os homens, e aquelas que apenas tardiamente se perguntam ou se perguntaram sobre isso. Pras que ainda têm dúvidas, ou pras que também já encontraram as respostas e necessitam apenas de reconhecer suas próprias histórias nas histórias de outras mulheres.
Se vocês também quiserem me mandar suas histórias, eu preparei no blog uma seção para recebê-las, clique em Histórias de outras de nós e veja. E se quiser me escrever sua experiência, impressão ou opnião, deixe seu comentário ou me mande um e-mail: apsm241177@gmail.com
Permaneçam comigo. Estamos conectadas. Eu sou Ana, carioca, educadora, feminista radical, 38 anos, lésbica, com imenso orgulho e muita alegria.
Aguardo seus relatos e impressões nos comentários ou e-mail.
Aos 38 anos me compreendi lésbica. Desde a primeira manifestação do meu desejo por mulheres, aos 13/14 anos, até a plena compreensão de minha lesbianidade, um fosso enorme de violências, correções, adequações, condicionamentos, rejeições e agressões patriarcais me distanciaram do que eu sou - uma lésbica. Esse blog conta minhas histórias pra que outras mulheres possam se reconhecer nelas e saber que não estão sozinhas e nem loucas e que é importante a gente conversar sobre isso.

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