Sabe uma coisa que eu gosto, que eu sempre gostei? De ser sozinha. De morar sozinha, de sair sozinha, de dormir sozinha, de ser vista sozinha, de ser reconhecida como uma mulher sozinha. Eu não sei precisar quando eu comecei a gostar disso, quando eu comecei a sentir um prazer solitário e autoestimoso em ser sozinha e ser reconhecida como uma mulher sozinha, mas me lembro que desde uns 12 anos eu já dizia que não queria casar, que queria morar sozinha, e lembro que quando saí da casa dos pais pra dividir casa com outras pessoas eu adorava ir pra shows e bares sozinha. Sabe todos os momentos em que tive muito medo de estar só? Em que pensar em ser sozinha me causava temor em vez de prazer e alegria? Todas as vezes em que estive em relacionamentos românticos com homens. Em que eles reforçavam a destruição da minha autoestima, manipulavam minhas emoções e sentimentos com os signos patriarcais que já estão marcados na minha constituição, e contra os quais eu luto constantemente, lra me fazer sentir medo e temor daquilo que sou, da mulher que sou, quando me convenciam que pra ser algo próximo um ser humano eu devia me sentir enlevada, apaixonada, por ser uma mulher heterossexual, pela condição heterossexual de ser mulher de um homem.
Agora eu estou aqui refletindo sobre o quanto gostar de estar sozinha era uma forma de rejeitar a heterossexualidade e o quanto estar em relacionamentos com homens era uma forma violenta de reprimir isso. Ou seja, era uma forma de reprimir o que sou, reprimir minha própria lesbianidade. Compreendo cada vez mais o que me levava a estar nesses relacionamentos
A introjeção dos papéis sexuais e dos códigos da socialização são tão fortes que a gente mesmo se reprime, ae boicota, se violenta pra caber neles. Homens sabem exatamente como manipular isso. Todo ome sabe, todo ome faz, e na maioria das vezes a gente nem percebe. Os piores momentos da minha vida, de retrocesso, de estagnação, emocional, financeira, profissional, tudo, sempre foram os que estive em relacionamentos com homens, os maiores avanço e conquistas, emocionais e materiais, sempre de deram quando eu estava sozinha, quando eu me sentia firme em minha autonomia. Relacionamentos heteros são extremamente destrutivos, aniquilantes.
Autorreflexão feminista cura mais que qualquer discurso psicoanalitico patriarcal
Aos 38 anos me compreendi lésbica. Desde a primeira manifestação do meu desejo por mulheres, aos 13/14 anos, até a plena compreensão de minha lesbianidade, um fosso enorme de violências, correções, adequações, condicionamentos, rejeições e agressões patriarcais me distanciaram do que eu sou - uma lésbica. Esse blog conta minhas histórias pra que outras mulheres possam se reconhecer nelas e saber que não estão sozinhas e nem loucas e que é importante a gente conversar sobre isso.
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